Conheça As 4 Facetas de Fernando Pessoa!

Confira A Trajetória De Fernando Pessoa, Um Dos Maiores Poetas Da Língua Portuguesa De Todos Os Tempos!

Fernando Pessoa nasceu em 13 de junho de 1888, na cidade de Lisboa (capital portuguesa).

Aos oito anos, mudou-se para Durban, na África do Sul, onde estudou na Durban High School, escola católica irlandesa.

Em 1904, recebeu o prêmio literário Queen Memorial Victoria, pelo ensaio apresentado no exame de admissão à Universidade do Cabo da Boa Esperança.

Em 1905, regressou a Portugal, a fim de estudar Letras, na Universidade de Lisboa.

Dois anos mais tarde, abandonou o curso e montou uma tipografia.

Em 1908, tornou-se correspondente internacional em casas comerciais e ingressou na Revista Águia, em 1912, a qual publicou ensaios e críticas literárias: A Nova Poesia Portuguesa Sociologicamente Considerada, Reincidindo e A Nova Poesia Portuguesa no Seu Aspecto Psicológico.

Em 1913, compôs o seu primeiro poema em português: Pauis, o qual marcou o início do Modernismo lusitano.

Conheça a Trajetória de Um Gênio Da Literatura Brasileira

Pauis

Fernando Pessoa

Pauis que roçarem ânsias pela minha alma em ouro. . .

Dobre longínquo d’Outros Sinos. . . Empalidece o louro

Trigo na cinza do poente. . . Corre um frio carnal por minha por minha alma. . .

Tão sempre a mesma, a Hora!. . . Balouçar de cimos de palma!. . .

Silêncio da parte inferior das folhas, outono delgado

D’um canto de vaga ave. . . Azul esquecidos em estagnado. . .

Ó que mudo grito de ânsia põe garras na Hora!. . .

Que pasmo de mim anseia por outra coisa que o que chora?. . .

Estendo as mãos para Além, mas no estender delas já vejo

Que não é aquilo que quero aquilo que desejo. . .

Címbalos de imperfeição. . . Ó tão antiguidade

A hora expulsa de si-Tempo!. . . Onda de recuo que invade

O meu abandonar-me a mim-próprio até desfalecer

E recordar tanto o eu presente que me sinto esquecer. . .

Fluido de auréola transparente de Foi, oco de ter-se. . .

O mistério sabe-me a eu ser outro. . . Luar sobre o não conter-se. . .

A sentinela é hirta, a lança que finca no chão

É mais alta que ela. . . P’ra que é tudo isto. . . Dia chão. . .

Trepadeiras de despropósito lambendo de Hora os aléns!

Horizontes fechando os olhos ao espaço em que são elos de erro!

Fanfarras de ópios de silêncios futuros!. . . Longes trens!. . .

Portões vistos longe, através das árvores, tão de ferro!. . .

Fernando Pessoa E Seus Heterônimos

Neste período, mais precisamente, em 1914, criou seus principais heterônimos (tal característica é singular na história da Literatura mundial): Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos, os quais possuíam vida própria e estilos literários únicos, quais sejam:

  • Ricardo Reis (médico), proclamado a vertente clássica de Fernando;
  • Álvaro de Campos (engenheiro português, com formação inglesa), considerado a face moderna e irreverente do poeta, a qual foi fortemente influenciada pelo poeta estadunidense Walt Whitman, pelo Simbolismo e pelo Futurismo italiano – Movimento artístico e literário surgido na Itália no início do século XX, que celebrava o desenvolvimento tecnológico e a liberdade para as palavras;
  • Alberto Caeiro (possuía apenas o primário), aclamado o mais objetivo dos três.

Em 1915, lançou o magazine Orpheu, precursor do Modernismo e do Futurismo em Portugal, que publicou o poema Ode Triunfal, considerada a obra-prima do Futurismo, por Mário de Sá Carneiro (1890 – 1916), de Fernando Pessoa.

Casa Fernando Pessoa

Trecho de Ode Triunfal

Álvaro de Campos

Eia comboios, eia pontes, eia hotéis à hora do jantar,
Eia aparelhos de todas as espécies, férreos, brutos, mínimos,
Instrumentos de precisão, aparelhos de triturar, de cavar,
Engenhos brocas, máquinas rotativas!

Eia! eia! eia!
Eia electricidade, nervos doentes da Matéria!
Eia telegrafia-sem-fios, simpatia metálica do Inconsciente!
Eia túneis, eia canais, Panamá, Kiel, Suez!
Eia todo o passado dentro do presente!
Eia todo o futuro já dentro de nós! eia!
Eia! eia! eia!
Frutos de ferro e útil da árvore-fábrica cosmopolita!
Eia! eia! eia! eia-hô-ô-ô!
Nem sei que existo para dentro. Giro, rodeio, engenho-me.
Engatam-me em todos os comboios.
Içam-me em todos os cais.
Giro dentro das hélices de todos os navios.
Eia! eia-hô! eia!
Eia! sou o calor mecânico e a electricidade!

Eia! e os rails e as casas de máquinas e a Europa!
Eia e hurrah por mim-tudo e tudo, máquinas a trabalhar, eia!

Galgar com tudo por cima de tudo! Hup-lá!

Hup-lá, hup-lá, hup-lá-hô, hup-lá!
Hé-la! He-hô! H-o-o-o-o!
Z-z-z-z-z-z-z-z-z-z-z-z!

Ah não ser eu toda a gente e toda a parte!

Fernando Pessoa, um dos mais importantes poetas do século XX

Em 1924, o poeta lançou a revista Athena e publicou poesias dos seus heterônimos: Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Alberto Caeiro e do seu ortônimo (Fernando Pessoa).

Em 1934, publicou Mensagem (única obra em português editada em vida. As outras três foram lançadas em Inglês), a fim de concorrer ao prêmio Antero de Quental, criado pelo governo lusitano, em 1933.

Pessoa venceu o laurel, porém, na categoria B, já que seu livro possuía menos de 100 páginas. António Ferro (1895 – 1956), diretor do prêmio, contrariado com tal decisão, resolveu dar o valor do prêmio da categoria A a Pessoa também.

Racional, cético, melancólico; mas, acima de tudo, um poeta que ao colocar em palavras, seus medos e angústias, tornou-se a voz de muitos e inspiração de muitas gerações de literatos, principalmente, portugueses e brasileiros.

Por tais características e, fundamentalmente, pela qualidade e intensidade de sua obra, é considerado um dos mais importantes bardos do século XX.

Lendo Pessoa à Beira-Mar

Confira a transcrição de alguns poemas declamados por Maria Bethânia e Cleonice Berardinelli!

Autopsicografia
Fernando Pessoa

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

O Poema Autopsicografia foi extraído do livro Cancioneiro.

Isto
Fernando Pessoa

Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto.
Com a imaginação.
Não uso o coração.
 
Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É  como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.
 
Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!

O Poema Isto foi extraído do livro Cancioneiro.
 

A lenda
Fernando Pessoa

Conta a lenda que dormia
Uma princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada,

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera.
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado.
Ele dela ignorado.
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino –
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E, vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora.

E, inda tonto do que houvera,´
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.

O Poema Conta a lenda que Dormia foi extraído do livro Cancioneiro.

Todas as Cartas de Amor
Álvaro de Campos

Todas as cartas de amor são Ridículas. 
Não seriam cartas de amor se não fossem Ridículas. 
Também escrevi em meu tempo cartas de amor, 
Como as outras, Ridículas. 
As cartas de amor, se há amor, 
Têm de ser Ridículas. 
Quem me dera no tempo em que escrevia 
Sem dar por isso Cartas de amor Ridículas. 
Afinal, só as criaturas que nunca escreveram Cartas de amor, 
É que são Ridículas.
Porém não tive coragem de abrir a mensagem
Porque, na incerteza, eu meditava
Dizia: “será de alegria, será de tristeza?”
Quanta verdade tristonha
Ou mentira risonha uma carta nos traz
E assim pensando, rasguei sua carta e queimei
Para não sofrer mais
Quanto a mim o amor passou
Eu só lhe peço que não faça como gente vulgar
E não me volte a cara quando passa por si
Nem tenha de mim uma recordação em que entre o rancor
Fiquemos um perante o outro
Como dois conhecidos desde a infância
Que se amaram um pouco quando meninos
Embora na vida adulta sigam outras afeições
Conserva-nos, caminho da alma, a memória de seu amor antigo e inútil.

O Poema Todas as Cartas de Amor foi extraído de Poemas.

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