G de Gênio, G de Genesis

O projeto Genesis, é sinônimo de morte e de renascimento, visto que após fotografar a história das pessoas em trânsito: migrantes, refugiados ou exilados (devido à pobreza, à repressão ou às guerras e a miséria humana) retratadas no livro Êxodos (2000), Sebastião Salgado entrou em depressão e pensou em deixar a fotografia.

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No entanto, ao observar a natureza destruída da fazenda de sua família renascer,  Salgado teve o desejo de retratar locais intocados e, destarte, apresentar um novo planeta. Esta foi a força motriz, por trás do Projeto Genesis.

O fotógrafo, como gosta de ser chamado, cruzou o mundo, entre 2004 e 2012, visitando 32 regiões remotas, incluindo: o Alasca, a Patagônia, a Etiópia e a Amazônia, dentre outras, a fim de registrar a majestade e a beleza da natureza, sua relação com o homem e os animais, bem como de registrar comunidades alheias às transformações ocorridas ao longo dos séculos, uma vez que mantêm suas tradições ancestrais.

Livro-Genesis-Sebastião-Salgado

G de gênio, G de Genesis

Genesis, seu trabalho mais recente, é composto por uma exposição – a exibição, com curadoria de Lélia Wanick Salgado, conta com 245 fotografias em Preto e Branco, divididas em cinco seções geográficas:

  1. Planeta do Sul (as paisagens congeladas e os animais da Antártica, do Sul da Geórgia, as Falklands/Malvinas, o arquipélago Diego Ramirez e as Ilhas Sandwich);
  2. Santuários (as paisagens vulcânicas, a fauna, as populações, a vida selvagem e a vegetação dos diferentes ecossistemas das Ilhas Galápagos, Nova Guiné, Irian Jaya, os Mentawai da Ilha Siberut e Madagascar);
  3. África (a vida selvagem, os animais, a população tribal, os desertos e as antigas comunidades do Delta de Okavango, na Botswana, da Ruanda, do Congo e Uganda, da Namíbia, Sudão, Líbia, Argélia e Etiópia);
  4. Espaços do Norte (as paisagens naturais, a vida animal e indígena do Alasca e do Colorado, nos Estados Unidos, do Canadá, da Rússia e da Sibéria);
  5. Amazônia e Pantanal (a floresta tropical, o Rio Amazonas e a vida de tribos indígenas brasileiras).

E um livro (lançado pela editora alemã Taschen e publicado em seis línguas. A obra já vendeu mais de 250 mil exemplares).

A mostra, que será exibida em 127 cidades ao redor do mundo, pretende levar os espectadores a refletirem acerca da vida nos grandes centros e, principalmente, do seu papel na conservação do planeta.

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Sobre Sebastião Salgado

Sebastião Salgado Júnior nasceu em 1944, na cidade de Aimorés, Minas Gerais.

Em 1963, mudou-se para Vitória, no escopo de estudar Economia, cidade em conheceu Lélia Wanick, sua esposa e parceira artística, já que edita os livros e exposições, desenha os livros e organiza as expedições de Salgado.

Após terminar a graduação na Universidade Federal do Espírito Santo e o mestrado, na Universidade de São Paulo (USP), emigrou, em 1969, para Paris, devido à Ditadura Militar vigente no país.

Exilado na França, iniciou o Doutorado em Economia Agrícola, porém, não defendeu a tese, apesar de ter desenvolvido uma dissertação sobre o assunto.

Ficou 11 anos exilado na França. Neste período, não pôde voltar ao Brasil, pois seu passaporte foi confiscado pelo governo militar.

Salgado entrou com um mandado de segurança, para reaver o documento. Após dois anos, obteve o salvo-conduto.

Neste período, Sebastião também trabalhou na Organização Internacional do Café (Londres), o que lhe permitiu, durante uma viagem de negócios à África, realizar a sua primeira sessão fotográfica e, principalmente, de descobrir a sua verdadeira vocação: a Fotografia.

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Missão de Vida

Decidiu, então, abandonar o seu ofício e investir em uma nova profissão.

Começou sua carreira fotográfica, aos 29 anos, em 1973, na França.

Como fotojornalista, trabalhou para as agências Sygma (2 anos), Gamma (4 anos), uma das maiores agências fotojornalísticas e Agência Magnum (15 anos).

Para Salgado, a Gamma foi sua verdadeira escola de Fotojornalismo.

Realizou importantes fotorreportagens, tais como: o atentado a tiros cometido, por John Hinckley, Jr. (a fim de impressionar a atriz americana Jodie Foster), contra o presidente americano Ronald Reagan, em 1981.

Não obstante ter ganhado notoriedade com tais imagens, decidiu tirá-las de circulação, com o objetivo de não ficar conhecido apenas por este trabalho.

Em 1994, deixou a Magnum e fundou a agência Amazonas (agência que cuida apenas da obra de Sebastião), administrada por Lélia Wanick Salgado.

Em 2000, voltou ao Brasil.

Decidido a abandonar a Fotografia, devido ao choque causado, pelo trabalho realizado no Projeto Êxodos.

Não obstante tal desencanto, decidiu voltar a fotografar, após ver o reflorestamento da fazenda da sua família e ao criar o Projeto Genesis.

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Êxodos X Genesis

Para Salgado, a Fotografia é completamente subjetiva e parcial, pois revela a visão política e a trajetória do fotógrafo.

Tais características foram corroboradas tanto em Êxodos quanto em Genesis.

Ambos os projetos (Êxodos e Genesis) possuem estética impecável e alta carga dramática, porém, com vieses diferentes, já que Êxodos apresenta um mundo em decadência, desesperançoso, enquanto Genesis retrata um mundo intocado, belo, puro e esperançoso.

Publicações

Em 1986, Sebastião Salgado lançou seu primeiro livro, Outras Américas, a publicação retrata as condições de vida dos camponeses e dos índios da América Latina.

Desde então, o artista publicou diversas obras:

  1. Trabalhadores (1993);
  2. Terra (1997);
  3. Serra Pelada (1999);
  4. Êxodos (2000);
  5. O Fim da Pólio (2003);
  6. Um Incerto Estado de Graça (2004);
  7. O berço da desigualdade (2005);
  8. África (2007);
  9. Genesis (2013);
  10. Perfume de Sonho (2015).

Prêmios

Graças à qualidade e à originalidade do seu trabalho, o fotógrafo recebeu diversas condecorações, dentre elas: Melhor Repórter Fotográfico do Ano, do International Center of Photography de Nova York, Prêmio Jabuti de Literatura: categoria reportagem e o World Press Photo, a mais importante honraria do fotojornalismo mundial.

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Antes de imprimir, pense. O meio ambiente agradece.

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