Receita Para Um Ano Novo Sem Comparação Com O Tempo Já Vivido!

Em Celebração À Chegada De Novo Ano, Publico 1 Belíssimo Poema De Ano Novo De 1 Gênio Da Literatura Brasileira Para Você Começar Bem. É simplesmente inspirador!

Receita de Ano Novo

Carlos Drummond de Andrade 

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).

Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

A Poesia Receita de Ano Novo foi extraída de Poemas Dezembro (resultado da troca de correspondências entre Drummond e o poeta mineiro Lázaro Barreto) e publicada no Jornal do Brasil, em dezembro de 1997.

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Continue lendo e saiba mais sobre Carlos Drummond de Andrade!

Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade, considerado o maior poeta brasileiro do século XXum dos três mais importantes da Língua Portuguesa, iniciou sua carreira literária na década de 20, mais precisamente em 1922, quando publicou trabalhos nas revistas Todos e Ilustração Brasileira.

Em 1925, lançou sua própria publicação: A Revista. E

Em 1928, publicou o poema No meio do caminho, o qual se tornou um dos maiores escândalos literários do Brasil, pois representou uma ruptura estética.

Em 1930, lançou seu primeiro livro: Alguma Poesia (financiado pelo artista) e passou a também colaborar com o Estado de Minas, o Diário da Tarde. E

m 1945, publicou o livro A rosa do Povo, considerado a sua obra-prima.

A partir da década de 60, seus livros passaram a ser publicados em Portugal, EUA, Alemanha, Suécia, Argentina, etc.

Neste período, também participou dos programas Vozes da Cidade (Rádio Roquette Pinto) e do Cadeira de Balanço (Rádio Ministério da Educação).

Em 1986, lançou Tempo, Vida, Poesia, seu último livro.

Eu x mundo

A obra de Carlos é estabelecida, segundo Affonso Romano de Sant’Anna (1937, escritor brasileiro), a partir da dialética “eu x mundo“.

Eu maior que o mundo — marcada pela poesia irônica;

Eu menor que o mundo — marcada pela poesia social;

Eu igual ao mundo — abrange a poesia metafísica.

Serviço Público

Drummond ingressou no órgão estatal Minas Gerais (imprensa oficial) em 1929 e egressou deste em 1953.

Cinco anos mais tarde, em 1934, tornou-se chefe de gabinete de Gustavo Capanema (seu amigo desde a adolescência e Ministro da Educação, do governo Getúlio Vargas), cargo do qual pediu exoneração, em 1945, por opor-se a ditadura Varguista.

No mesmo ano, entrou no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), no qual aposentou-se, em 1962, após 33 anos de serviço público.

Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade

Condecorações

Avesso a prêmios, recusou-se a ser indicado ao Prêmio Nobel de Literatura em 1967, considerado o mais prestigiado laurel nas seguintes categorias (Paz, Literatura, Economia, Física, Químia, Medicina ou Fisiologia).

A condecoração, criada por Alfred Nobel (1833 – 1896), em 1895, é entregue anualmente.

A recusa da indicação se deveu quando Drummond se negou, em 1967, a enviar a tradução da sua obra, para Arne Lundgren, seu tradutor para o sueco (língua oficial da Academia de Ciências, organizadora do Prêmio Nobel).

Drummond também se recusou a receber o Prêmio Nacional Walmap de Literatura.

Não obstante tais fatos, foi galardoado com importantes láureas, dentre as quais, destaco: o Prêmio pelo Conjunto de Obra, da Sociedade Felipe d’Oliveira (1946) e o Prêmio de Poesia, da Associação Paulista de Críticos Literários (1974).

Devido a sua proeminência, Drummond recebeu várias homenagens, dentre as quais, destaco: a confecção da sua face nas notas de cinquenta cruzados novos (em circulação de 1988 a 1990) e a construção Memorial Carlos Drummond de Andrade em Itabira, com projeto arquitetônico assinado por Oscar Niemeyer.

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Antes de imprimir, pense. O meio ambiente agradece.

 

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