Percorra Os Labirintos Reais E Imaginários De Jorge Luis Borges

Jorge Luis Borges, literato argentino, nasceu em 1889, em Buenos Aires, na Argentina. O autor começou a escrever aos sete anos, incentivado pelo pai, escritor frustrado.

Neste período, o menino redigiu um Guia de Mitologia Grega em Inglês, já que foi alfabetizado nesta língua por sua avó paterna, Fanny Haslam. E aos nove, traduziu o livro O Príncipe Feliz, do escritor irlandês Oscar Wilde (1854 – 1900).

Em 1914, mudou-se para a Suíça, por causa da doença do pai, o qual buscou tratamento naquele país. O autor permaneceu até 1918 naquele país, devido à eclosão da Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918).

Borges admirava a nação helvética, por sua tolerância e pelo modo como tratou imigrantes, durante e após o conflito. Tais valores acompanharam o literato por toda a vida. Em 1919, deslocou-se para a Espanha, onde ficou até 1921. Neste mesmo ano, regressou à Argentina.

Obra de Jorge Luis Borges 

Em 1923, publicou o seu primeiro livro de Poesia Fervor de Buenos Aires, uma redescoberta da sua cidade natal e um “resumo” de todos os temas que escreveu, ao longo da vida. Dizia que escreveu e reescreveu Fervor nos seus demais livros.

Em 1939, escreveu o conto: Pierre Menard, autor de Quixote (uma alusão ao romance Dom Quixote, de Miguel de Cervantes), publicado na Revista Sur.

O conto Pierre Menard, autor de Quixote foi a última tentativa que Borges deu à Literatura, já que, até então, não tinha obtido reconhecimento profissional, nem financeiro. Este texto foi publicado posteriormente no livro Ficciones (1944), considerado, pela crítica especializada, uma das obras-primas da literatura latino-americana do século XX.

Em 1945, publicou um dos seus mais célebres contos, El Aleph, na Revista Sur. O texto dedicado à escritora Estela Canto (1916 – 1994), dá nome a um dos seus livros mais famosos, publicado em 1949, composto por 17 contos, em que Borges aborda temas como: imortalidade, identidade e a condição humana.

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Parceria

Entre 1942 e 1977, Borges escreveu seis livros, em parceria com Bioy Casares (1914 – 1999). E neste interim, os literatos, criaram um terceiro autor: Bustos Domecq.

Buenos Aires

Jorge Luis Borges

(Tradução livre de Bel Young)

E a cidade, agora, é como um espelho
Das minhas humilhações e fracassos;
Desde então, tenho visto os ocasos
E ante o mármore espero em vão.
Aqui, o passado e o presente incerto

Fornecem-me fatos ordinários
De toda a sorte humana; aqui os meus passos
Tecem seu labirinto incalculável.

A tarde cinzenta espera
O fruto da manhã;
Aqui a minha sombra vã
Sombra que se perderá rapidamente.
Une-me a Buenos Aires o espanto, não o amor;
Talvez por isso é que eu a quero tanto.

Carreira Pública 

De 1937 a 1946, Borges trabalhou na Biblioteca Nacional da Argentina. Em 1946, o autor foi transferido para o mercado municipal, ao se opor ao governo de Juan Domingo Perón (1985 – 1974), o qual tomou o poder neste ano. E se demitiu, por não concordar com a ideologia peronista e prezar pela ética.

Com a queda de Peron, foi nomeado, diretor da Biblioteca Nacional, em 1955. Após deixar a instituição, Borges doou cerca de mil livros, com esboços de futuras obras e comentários à margem das páginas, os quais caíram no esquecimento e só foram reencontradas em 2004.

Universo Borgiano

universo fantástico de Borges sugere labirintos imaginários; mas, principalmente, reais, já que o autor estava imerso na realidade e também, porque para ele, a linguagem era um sistema artificial se comparado à realidade.

Tradutor e compilador de textos

Para Borges – leitor ávido, desde a infância -, a leitura precedia a escrita, já que está era uma compilação de outros textos, com uma nova roupagem. Tal opinião é reforçada por teses literárias, que afirmam existir pouco mais de 20 histórias contadas ao longo dos séculos, as quais receberam novas interpretações ou foram articuladas, de uma outra forma.

Tanto que Shakespeare e Homero (928 a. C. – 898 a. C.), autor de Ilíada Odisseia e um dos referenciais culturais de Borges, lançaram mão de contos e lendas para comporem as suas obras-primas.

Obsessões

O literato era obcecado por releituras, tanto que sempre fazia alterações nos seus livros a cada nova edição. “A obsessão da reescritura, em Borges, era tanta que ele corrigia a mão os seus próprios livros nas bibliotecas”, segundo Julio Pimentelhistoriador e professor da Universidade de São Paulo (USP).

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Reconhecimento mundial 

Não obstante ter começado a escrever com tenra idade, alcançou o estrelato, na década de 40 e fama mundial, nos anos 60, ao dividir uma comenda oferecida pelo Congresso Internacional de Editores, com o dramaturgo Modernista irlandês e Prêmio Nobel de Literatura, de 1969, Samuel Beckett (1906 – 1989), autor de Dias Felizes .

Borges recebeu 46 comendas nacionais e internacionais, como o Prêmio Miguel de Cervantes, criado pelo Ministério da Educação Espanhol, em 1976, considerado um dos mais importantes em Língua Espanhola. Não obstante, não recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, maior condecoração da Literatura.

Borges revolucionou a Literatura ao misturar gêneros e, por este motivo, é considerado um dos mais importantes literatos do século XX.

As ficções de Borges e os labirintos dos livros e do cotidiano

Em Busca de Borges

Direção: Cristiano Burlan

Produção: Brasil, Suíça

Gênero Drama

Duração: 85 minutos

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