Tupy Or Not Tupy: That Is The Question

Conheça A Trajetória De Oswald de Andrade, Um Dos Mais Importantes Artistas Brasileiros Do Século XX!

Oswald de Andrade nasceu em 11 de janeiro de 1890, em São Paulo, oriundo de uma família abastada.

Na sua juventude, de 1911 a 1918, Oswald (cujo pseudônimo era Miramar de Andrade), produziu o jornal O Pirralho.

O Pirralho, periódico literário, político e de humor, visava repensar a Arte Brasileira.

Na década de 20, Oswald realizou inúmeras viagens à Europa.

No velho continente, teve contato com o Futurismo, escola artística e literária, surgida em 1909, com a publicação do Manifesto Futurista, de Filippo Marinetti.

O Manifesto Futurista propunha a ruptura com o passado e o moralismo, também exaltava o desenvolvimento tecnológico, a guerra e a violência.

Também teve contato com o Cubismo (movimento artístico criado por Pablo Picasso e Georges Braque, no início do século XX, o qual representava objetos e pessoas, por meio de formas geométricas: as imagens eram formadas por cubos, daí o nome).

O Movimento Cubista exerceu grande influência em Oswald de Andrade.

 Tanto que lhe inspirou a criar a Semana de Arte Moderna de 1922, junto com Mario de Andrade (1893 – 1945), autor de Macunaíma e Pauliceia Desvairada.

Semana de 22

Participaram da Semana:

Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Yan de Almeida Prado, na Pintura e no Desenho;

Victor Brecheret, Hildegardo Leão Velloso e Wilhelm Haarberg, na Escultura;

Antonio Garcia Moya e Georg Przyrembel, na Arquitetura;

Mário e Oswald de Andrade, Menotti Del Picchia, Sérgio Milliet, Plínio Salgado, na Literatura;

Villa-Lobos e Guiomar Novais, na Música.

A Semana de 22, realizada entre os 13 a 17 de fevereiro, fez parte das comemorações dos 100 anos da Independência do Brasil, e representava a segunda “independência” do país; porém, no âmbito artístico, desta vez.

A Semana de Arte Moderna, iniciou-se, no dia 13 de fevereiro, com a conferência A emoção estética da Arte Moderna, de Graça Aranha (1868 – 1931), no Theatro Municipal de São Paulo.

Prosseguiu, no dia 15, com a declamação do poema Os Sapos (que foi muito vaiada pelo público presente no recinto), de Manuel Bandeira (1886 – 1968), por Ronald de Carvalho (1893 – 1935),

E, foi encerrada, no dia 17, com apresentações musicais, de Guiomar Novaes (1894 – 1979) e Heitor Villa-Lobos (1887 – 1959).

O evento contou com cinco festivais, cada um deles, dedicado a uma Arte, quais sejam: pintura e escultura, literatura, poesia e música.

A Semana de 22 e a Gênese do Modernismo

Semana de Arte Moderna de 1922 foi o marco inicial do Modernismo Brasileiro.

O Modernismo Brasileiro buscava criar uma arte genuinamente nacional, enfatizando a representação da realidade – as chamadas imagens figurativas.

Não obstante a resistência inicial, a Semana de 22 quebrou paradigmas e, assim, influenciou tanto o Tropicalismo quanto a Bossa Nova; mas, principalmente, a cultura brasileira.

Veja 5 Curiosidades Sobre A Semana De Arte Moderna de 1922

Do Pau-Brasil à Antropofagia

Em 1924, Oswald lançou o Manifesto Pau-Brasil, em que defende a poesia primitiva, genuinamente brasileira e de exportação.

Já que neste período, a Literatura Brasileira era dominada pelo Parnasianismo, movimento acadêmico e “elitista”, caracterizado pelo preciosismo rítmico e vocabular.

Também em 1924, Oswald se enveredou pela Poesia, influenciado por Tarsila do Amaral (1886 – 1973), maior expoente das artes Plásticas no Brasil.

Aos 35 anos, Oswald lançou seu primeiro livro de Poesia: Pau-Brasil (primeiro opúsculo de Poemas do Modernismo Brasileiro).

A capa e desenhos foram criados por Tarsila, sua esposa naquele período.

O livro continha trechos das cartas de Pero de Vaz Caminha e crônicas de outros autores, que foram transformados em Poemas.

Em 1928, Oswald lançou o Manifesto Antropofágico (publicado no primeiro exemplar da Revista Antropofagia).

O Manifesto foi inspirado no quadro Abaporu (1928), de Tarsila do Amaral.

Abaporu é considerado um símbolo do Modernismo Brasileiro.

Tupy or not Tupy: that is the question

O tratado, com a célebre frase: “Tupy or not Tupy: that is the question” alvitrava que a Cultura nacional deglutisse a Europeia, num gesto antropofágico (daí o nome dado ao Movimento) e ao digerir e absorver suas qualidades, tornar-se-ia melhor, mais forte e brasileira.

Abaporu-Manifesto-Antropofágico-Oswald-de-Andrade

Abaporu
Artista: Tarsila do Amaral
Produção: 1928
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 85 cm X 73 cm

Museu Malba

Legado de Oswald de Andrade

Oswald sentia-se injustiçado (por Mario de Andrade ser a grande estrela e receber os louros do Modernismo), esquecido e perseguido pela imprensa.

Já que chegou a ser chamado de palhaço, por órgãos de imprensa.

Tal situação era motivada por sua personalidade polêmica e de vanguarda.

Tanto que foi considerado o mais rebelde do grupo, pela crítica.

Também se sentia incompreendido, já que cria que o público não entendia sua obra.

No entanto, recusava-se a baixar o nível da sua produção, pois acreditava que um dia o leitor a compreenderia.

Sonho concretizado apenas após sua morte.

Anos após sua morte, Décio Pignatari (1927 – 2012), Haroldo Campos (1929 – 2003) e Augusto Campos (1931) – poetas concretistas – redescobriram sua obra.

A obra de Oswald foi uma das influências na criação do Concretismo, movimento literário brasileiro de maior repercussão internacional.

Ademais destes, Guimarães Rosa (1908 – 1967), autor de Grande Sertão: Veredas, em sua prosa e Manoel de Barros (1916 – 2015), autor de Livro sobre nada, em seus poemas, realizaram o desejo de Oswald de criar a língua brasileira (vocabulário popular, explorando erros de Português do brasileiro – como “sordado”), expresso no Manifesto Antropofágico.

Oswald de Andrade também influenciou o Tropicalismo, movimento de vanguarda, que propunha a quebra de paradigmas e a criação de uma nova ordem cultural e a afirmação da Arte brasileira.

Um dos maiores expoentes do Tropicalismo é  o compositor e cantor Tom  Zé (1960).

Tais fatos atestam o valor e, principalmente, a relevância da obra e do legado artístico de Oswald, o que o levou a ser considerado um dos mais importantes artífices brasileiros do século XX.

Você Sabe Tudo Sobre A Semana De 22? Confira Já!

Principais obras de Oswald de Andrade, além dos Manifestos Poesia Pau-Brasil e Antropofágico

Memórias sentimentais de João Miramar (Romance – 1924 -, baseado nas experiências de Oswald);
Cântico dos Cânticos para flauta e violão (Poesia1927);
Serafim Ponte Grande (Romance – 1933);
Os condenados (Romance – 1934 -, parte da trilogia Exílio: Estrela do Absinto – 1927 – e Escada vermelha – 1934);
O rei da vela (Teatro – 1937);
O escaravelho de ouro (Poesia1946);
O santeiro do mangue (Poesia – 1950).

Curtiu Tupy Or Not Tupy: That Is The Question? Compartilhe!

Antes de imprimir, pense. O meio ambiente agradece.

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

dezenove − 15 =